Se eu pudesse...
Com uma vara de condão e mão de aço
rasgar toda a distância deste espaço
certo entraria em tua solidão
levar-te-ia ao mundo da alegria
e as luzes da esperança acenderia
no quarto escuro do teu coração.
Se eu pudesse...
Descerrar entre nós estranho véu
que nos oculta o mais sublime céu
de carinho, de amor e de ternura
não sentiria mais esta vontade
de andar em busca da felicidade
em meio à madrugada de amargura.
Se eu pudesse...
Levar-te-ia ao alto da montanha
que ao longe se parece tão estranho
e que amedronta o teu olhar tão cansado
e dar-te-ia toda a minha crença
para ter a divida recompensa.
De ver-te caminhar sempre ao meu lado
E lá, bem perto às nuvens transparentes
eu cantaria só canções dolentes
não saberia mais o que é ser triste
e se a felicidade realmente existe
não lhe daria nunca mais adeus!
Mas eu, que falo da felicidade
em têrmo de serena intimidade, digo
Ah! Se eu pudesse...
Não sentiria a força do universo
Não condicionaria o próprio verso
e nunca mais diria:
Se eu pudesse...
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